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esse blog começou aqui: https://eusouocritico.wordpress.com/

 

  • 2 de out. de 2013

reflexão pós acontecimento dentro do http://www.foradeeixo.org/propostas-selecionadas.html

O artesão conta com seu saber de ontem. O artista tem que se colocar em encrenca todo dia. Odyr Bernardi https://twitter.com/odyrbernardi/status/382923727815450624

No caminho da pesquisa em criação é comum surgirem novos interesses a partir de uma experiência bem sucedida. O artista segue sua sensibilidade e sua intuição e escolhe bifurcações muitas vezes com consequências pouco claras. Diante dessas escolhas seu caminho por vezes leva a um beco sem saída e ele é obrigado a rever suas opções. Ou apenas a aceitar que errou e incorporar mais esta experiência ao seu repertório de fracassos. E o que faz um artista pesquisador quando o projeto não funciona? Qual o procedimento do artista quando, diante de um trabalho inédito durante uma pesquisa de materiais a obra não acontece do modo idealmente planejado? E o que fazer quando isso se passa durante um festival e essa bela idéia aprovada por uma curadoria que depositou uma confiança supreendente na ação proposta? Este pequeno texto se propõe a fazer uma reflexão autocrítica sobre uma intervenção idealizada de uma maneira e realizada de outra a meu próprio ver, inferior à expectativa lançada.

O PROJETO

A idéia deste projeto partiu da bem sucedida experiência durante a Virada Cultural 2013, em São Paulo. Durante 4 meses em 2011 dobrei 1000 passarinhos de origami, o tradicional tsuru. Foram todos dobrados com papéis já impressos com outros fins como folhetos entregues na rua, folders recolhidos em diversas instituições culturais como SESC, Itaucultural, etc. Era uma performance/ação de médio prazo compartilhada na internet conforme acontecia seu desenvolvimento. A proposta inicial foi apenas realizar um ritual de autotransformação. Eu não tinha nenhuma idéia do que faria quando terminasse de dobrar os 1000 tsurus mas uma vez concluída a performance me veio a idéia de suspender as 1000 dobraduras usando balões de hélio na forma de um dragão flutuante. Esse projeto foi apresentado sem sucesso a algumas instituições como o SESC e a Virada Cultural. O ano de 2012 na cultura chinesa foi o Ano do Dragão e poeticamente fazia sentido realizar o projeto durante esse ano. Isso não aconteceu e o ano findou infrutífero para este projeto. Em 2013 retomei a idéia pois precisava concluir o processo dos 1000 tsurus e reapresentei o projeto à Virada Cultural de 2013. Tive sorte pois com a troca de administração novamente a Virada Cultural teve verbas para uma exposição de Artes. O trabalho, agora na forma de uma pessoa feita com os 1000 tsurus, foi selecionado pela curadoria e sua apresentação foi bem sucedida. Passeamos, eu, a equipe e a Pessoa de 1000 Tsurus por dois dias em meio à multidão maravilhada com o boneco flutuante. Esse sucesso me fez ficar empolgado com as possibilidades da combinação origamis + balões de hélio e apresentei ao Festival Fora d@ Eixo uma proposta que nascia diretamente da experiência bem sucedida na Virada. A proposta agora era suspender uma água viva de origami de um metro e meio de diâmetro com um balão levantando-a por baixo. O objeto luminoso suspenso flutuaria sobre as pessoas, preso por uma fita, um grande objeto de estimação de origami flutuante passeando ao ar livre.

A PRÁTICA Na prática o projeto não aconteceu da maneira planejada. Diversos erros de avaliação fizeram com que o trabalho não funcionasse. Após uma tarde inteira me debatendo com o fracasso iminente tive que alterar o plano proposto ao festival. No primeiro dia consegui apresentar timidamente um dragão de origami luminoso de quase um metro, suspenso com balões. Este objeto modesto deu um pequeno passeio levado por mim pelo campus quase deserto da UnB, de noite. No ouitro dia refiz meus planos e me reaproximei da idéia original. Consegui enfim apresentar uma água viva flutuante e luminosa. Porém bem menor, com cerca de setenta centímetros de diâmetro. Ela ficou algumas horas comigo passeando em frente ao Museu Nacional da República no outro dia. Quando anoiteceu e sua luz artificial foi revelada o objeto foi liberado do seu cabresto e seguiu livre pelo céu de Brasília, flutuando e levado pelo vento intenso da Capital Federal. Porém não fiquei satisfeito com o resultado. Tampouco a curadoria. Mas houve um momento em que o trabalho poderia ter se encaminhado para o rumo certo. Em algum momento eu poderia ter tomado outras decisões, ainda no primeiro dia. Esse erro custou a credibilidade do projeto e certamente afetou minha reputação como artista junto à curadoria do festival.

O erro técnico que eu cometi foi não calcular que o peso da água viva de origami sobre o balão o faria explodir. Um quilo e meio de papel espalhados sobre um balão e bum. O balão teria que ser mais resistente e maior. Ao invés de tentar suspender com apenas um balão embaixo eu poderia ter, ainda no primeiro dia, feito vários e suspenso por cima mesmo. Teria admitido uma pequena falha porém realizado algo bem próximo o proposto ainda no primeiro dia. Fiz três águas vivas para o caso de alguma dar errado: duas de papel neutro 80g/m³ e uma de papel vegetal, 40g/cm³, bem mais leve. A de papel vegetal praticamente se desfez, rasgando em vários lugares depois de dobrada, durante o processo de montagem. A de papel neutro tinha 1,1Kg e explodiu dois balões grandes levando embora quase metade do caro gás hélio comprado para a montagem. Percebi que não conseguiria executar o planejado e a solução no primeiro dia foi modesta. No segundo dia dIminui o peso cortando o papel da água viva original por quatro e suspendi a nova água viva com 6 balões, por cima. O que até funcionou bem. O que não contribuiu muito foi a imensa quantidade de vento que tem no Distrito Federal e a pouca corda que eu queria usar, para que ele não virasse uma pipa. Queria que ele se tornasse uma espécie de animal de estimação flutuante e surreal. O vento arrastava o bicho para o chão de tempos em tempos, quando soprava mais forte. Mesmo assim algumas boas imagens foram feitas por mim e deve ter outras melhores feitas pelo Elson, registro em vídeo do festival.

Por outro lado, ainda durante o festival eu pensava cá comigo: não seria também função de um festival de artes e intervenções urbanas apoiar o artista e suas experiências mesmo quando elas se mostram equivocadas? Acreditar na honestidade criativa de um artista e de suas pesquisas? Incentivar seus projetos mesmo quando eles terminam em erros? Pensar mais em termos de valorizar o processo e menos em termos de apenas apreciar o produto?

Talvez o fato da arte brasileira encontrar-se muitas vezes tão intensamente dependente do meio acadêmico e de suas tradicões e critérios científicos crie um ambiente excessivamente viciado nas certezas e muito pouco afeito ao risco. O risco em arte, quando existe, é apenas o risco esperado: a falha de um equipamento eletro-eletrônico, uma manifestação pública hostil que é incorporada como elemento poético, a intervenção eventualmente violenta do aparato de repressão do Estado em alguma intervenção mais crítica.

Mas e o risco da criação? Este não é legítimo? Se o artista não tem direito de errar, parem tudo, fechem os Institutos de Arte e renomeiem todos como: Institutos de Criação Científica. Pois se há alguém que pode errar, este é o artista. O artista, este pesquisador da criação. E a criação, que o diga a própria ciência, nasce da mutação. Ou seja, do erro.

O meu trabalho ficou, admito, medíocre. Mas o meu erro foi lindo. Pois foi legítimo. Eu, artista, assumo os riscos das minhas pesquisas. E agradeço a experiência de erro que o Festival Fora d@ Eixo me proporcionou.

Enfim, foi isso.

Daniel Seda, 2013


Agua viva grande de origami dobrada em cima de uma mesa ampla e com baloes de helio brancos flutuando ao fundo


Reflexo no vidro da Biblioteca Nacional de uma agua viva de origami grande voando com balões de hélio em frente ao Museu Nacional da Republica em Brasilia

Escrevo agora para fazer circular uma idéia de REFORMA POLITICA, esta condição básica de retomada da cidadania pelo brasileiro.

Fiz um breve esboço que pode ser resumido no seguinte:

Baseado na sociedade conectada e em rede, os representantes do povo devem ser contratados pelo povo para tocar projetos previamente desenhados por nós!

Eu uso a palavra ‘contratados’ não sem ironia, afinal não é isso o que o capitalismo prega? Vamos hackear esse conceito e usar a nosso favor!

Reforma Política, algumas idéias

Os cidadãos se reúnem em grupos de trabalhos abertos em ambiente digital e/ou presencial e montam o projeto de governo em cada área. Estes cidadãos incluem além do cidadão comum interessado os especialistas em cada uma das áreas e os grupos mobilizados que tenham conhecimento de causa em cada área de ação dos problemas a serem enfrentados.

O voto final realizado nestes grupos após o longo processo de redação da proposta é sempre individual, secreto e do cidadão, não de grupos.

O projeto é não apenas conceitual sobre quais os rumos que a cidade/estado/país deve tomar mas também pragmático e com ações específicas.

A eleição serve pra contratar os políticos que irão executar este projeto.

Legislativo: vereadores, deputados e senadores:

O mandato é de 4 anos com um voto de renovação ou de rejeição decisivo ao meio do mandato. Caso perca a cadeira após os dois primeiros anos há nova eleição para aquela vaga.

Direito a uma reeleição, depois tem um período de trégua de 2 anos até poder se candidatar de novo. A idéia é que o político volte a ser povo, e não perca o contato com as ruas como acontece hoje.

Executivo:

4 anos com uma única reeleição e voto de renovação na metade do mandato.

Judiciário

Sei lá, mas tem que haver algum contato, alguma confirmação, alguma influência popular no único poder totalmente desconectado da vontade popular. No mínimo uma transparência radical das contas de todos os juízes já ajudava bastante.

(sei lá, só pensando alto por enquanto)

E gostaria de ouvir as opiniões de todos a respeito. Vamos fazer circular idéias novas, senão vai rolar apenas a MESMA VELHA POLITICA DE CONCHAVOS de sempre, vamos virar esse jogo!

ELES TRABALHAM PRA GENTE, e não o contrário!

Políticos tem que ter MEDO da gente. O tempo todo! Medo de perder o emprego, que nem a massa tem. Medo de rejeição. Medo da execração pública!

Quanto aos partidos, eles podem continuar iguais. São os projetos que irão modelar e dar a cara aos partidos. Quem sabe assim eles viram partidos de verdade, enfim.

ATENÇÃO: A Resenha crítica a seguir contém SPOILERS dos livros

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Comecei a ler este livro, a Tetralogia de Rudy Rucker, no meu celular antigo um Nokia N97 com leitor de ebook. No terceiro volume, Freeware, eu comprei um celular novo e continuei a leitura do mesmo livro em outro app, outro formato. Depois ganhei um Kindle e terminei finalmente de ler o livro no aparelho da Amazon. Nunca vi nem peguei algum exemplar desse livro impresso, minha leitura dele foi totalmente digital.

De certa maneira essas várias encarnações do mesmo livro em diversos aparelhos reproduzem a trajetória do personagem principal, Cobb Anderson que passa as muitas páginas da complexa aventura terráqueo-lunar-espacial vivendo sucessivamente em vários corpos com seu software originalmente humano atravessando inúmeras incorporações antes de se desmaterializar em ondas.

Cobb é um ser humano, depois um robô (um clone robótico de si mesmo) depois é guardado dentro de uma imensa inteligência artificial, explode a si mesmo, ocupa um corpo robótico provisório, tem seu software guardado em um s-cube por décadas, ressucita em um corpo plástico inteligente, os moldies, robôs de 2050, e depois perde totalmente seu corpo virando apenas vibração de ondas com a codificação do seu software. Este é um dos pontos da saga: o software, a escrita da informação. O software podendo ser atualizado em corpo é de certa maneira imortal. Seria o equivalente da idéia de alma, algo anterior e que sobrevive ao corpo, à encarnação. Pode ser reencarnado.

Mas e a consciência? É a pergunta que todo mundo faria. Um novo exemplar não vai ser outra pessoa, apenas com as suas memórias? De onde vem a consciência, afinal? E Rudy Rucker responde com espiritualidade. A consciência é a mesma. É só você dar start em um ser com as suas memórias que este ser acessará não você que é pequeno mas a consciência, que é única e imortal, advinda da Luz. A mesma que você acessa agora e eu também e todo mundo. (Aqui entra uma longa discussão) Parece conversa de maluco e é isso mesmo e ainda mais com uma gang que come cérebros humanos como se come o de macacos, robôs rebelados na Lua. E depois dizimados pelos humanos quando surge uma nova forma de robôs que herda a memória, o software, da anterior mas agora tem um corpo plástico e remodelável instantaneamente à sua vontade. Basicamente os robôs viram uma massa de modelar capazes em se transformar em qualquer coisa. Se você tem idade pra lembrar disso, um barbapapa. Mas no livro sãos os moldies: um robô feito de algas e fungos e plástico. E software. E o software de Cobb encarna pela última vez em um destes moldies. Mas a saga de Rudy Rucker investiga não os efeitos da mudança de corpos e de uma potencial imortalidade em um ser humano mas a evolução da parceria simbiótica do ser humano com a inteligência robótica que ele mesmo desenvolveu. O livro explora, além das drogas pros humanos e pros robôs, o sexo entre ambos de diversas maneiras. O robô aqui é a realização de qualquer desejo, o objeto ideal. Uma vez que o robô de plástico pode adquirir qualquer forma ele entra em simbiose com o desejo do humano e se torna o gênio da lâmpada, pode fazer qualquer coisa.

Cobb Anderson cometeu um crime logo no início do século XXI: deu aos robôs a capacidade de evoluir e ganhar livre arbítrio. Substituindo as três leis de Asimov por outras que permitem e até obrigam a evolução constante das IA ele libertou os seres artificiais tornando os robôs não escravos e sim parceiros e com vontade própria. No primeiro volume os robôs fabricam na Lua os clones do órgãos que os humanos precisam para aumentar suas vidas. Há uma cidade na Lua criada e habitada apenas por robôs. Cobb é o responsável indireto por tudo isso e envelhece miseravelmente na Terra até que o primeiro robô criado por Cobb resolve ofecerer a ele a ‘imortalidade’. O que ele não sabe é que há uma guerra entre os grandes computadores que querem clonar e controlar todas as outras IAs e os pequenos boppers que pretendem manter sua individualidade e liberdade. Cobb entra na guerra meio sem querer e seu épico tem início. Ao longo dos quatro volumes a saga acompanha as intensas aventuras de Cobb este velho cientista derrotado e alcóolatra a quem é dada a imortalidade. Stahn Mooney é o outro pilar do futuro narrado no livro. Um drogadicto, jovem motorista de táxi e filho de um policial que junto com seus descendentes e os de Cobb ao longo das centenas de páginas ajudam a transformar os robôs transformando também sua interação com os humanos neste épico que é originário da primeira safra do universo cyberpunk original.

E eu que nunca tinha ouvido falar em Rudy Rucker o conheci graças a um tweet de William @GrealDismal Gibson celebrando o relançamento da quadrilogia. O primeiro livro é de 1982 e o último do ano 2000. Nestes 18 anos Rucy Rucker criou uma saga perfeitamente possível para os próximos passos de nossa relação com os robôs explorando conceitos como liberdade, consciência, espiritualidade (e os robôs também têm uma religião), robôs, clonagem, biorobôs e drogas, muitas drogas e de todos os tipos. O livro é um delírio de alterações possíveis de consciência com inúmeras drogas humanas e robóticas e seres alucinando sobre a realidade. Atualmente é tentador, ao menos para mim, enxergar Cobb Anderson no recém contratato pelo Google, Ray Kurzweil. Ele certamente deve ser fã dessa saga que investiga a inevitável existência das inteligências artificiais em convivência conosco.

Mais sobre o livro e download em inglês More about the book & for donwload PDF http://www.rudyrucker.com/wares/

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